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Resumo

Em agosto de 1791, os chefes João Queima de Albuquerque e Paulo Joaquim José Ferreira da nação Guaycurú (antecessores dos Kadiwéu) viajaram a Villa-Bella com dezessete subordinados e a intérprete escravizada “preta Victoria” para assinar um Termo de paz perpétua com o Capitão General João de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres. Em nome de sua nação e de seus descendentes, os chefes prometeram “manter com os Portuguezes a mais íntima paz e amizade” e prestar “obediência” a Sua Majestade Fidelíssima (CM-0060, p. 16-17).

Antecedentes

A viagem dos Guaycurú a Villa-Bella foi preparada por ordens do Capitão General ao commandante do Presídio de Nova Coimbra, Joaquim José Ferreira, que distribuiu donativos pela nação. Os Guaycurú “espontânea e ansiosamente” vieram à capital — “hospedados com gasalho” (CM-0060, p. 16). O naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira estava presente na capitania, encarregado da expedição filosófica.

Desenrolar

O Termo foi celebrado no “Palácio da Residência [do] Governador e Capitão General” num dia de agosto de 1791 (dia exato ilegível no OCR). Estavam presentes militares, oficiais e as principais pessoas de Villa-Bella. Os chefes Guaycurú, interrogados pelo sargento-mór engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra se a obediência era de “livre vontade e ato próprio”, responderam afirmativamente. O ato foi lavrado pelo secretário de governo Joaquim José Cavalcanti de Albuquerque e Lins, e assinado por António Felippe da Cunha Ponte, Alexandre Rodrigues Ferreira, António Soares Calheiros Gomes de Abreu e outros (CM-0060, p. 16-17).

“em seus nomes e no de todos os outros chefes da sua nação, seus compatriotas, e mais descendentes, protestavam e prometiam de hoje para todo sempre […] manter com os Portuguezes a mais íntima paz e amizade” — p. 16

Em 30 de julho de 1791 (data anterior ao Termo, possivelmente do documento que o antecipa), o Capitão General emitiu a Carta Patente reconhecendo os chefes e toda a nação Guaycurú como vassalos de S.M. Fidelíssima, com obrigação de “demonstrações de amizade” de todos sob o governo (CM-0060, p. 17).

Agentes

Agentes / responsáveis

Participantes indígenas

  • João Queima de Albuquerque — capitão Guaycurú; co-signatário (CM-0060, p. 16-17)
  • Paulo Joaquim José Ferreira — capitão Guaycurú; co-signatário (CM-0060, p. 16-17)
  • “preta Victoria” — intérprete escravizada crioula portuguesa; única mediadora linguística (CM-0060, p. 16) — flag apagamento_de_agentes

Testemunhas signatárias

  • Alexandre Rodrigues Ferreira — naturalist, assinou o Termo (CM-0060, p. 17)
  • Ricardo Franco de Almeida Serra — sargento-mór engenheiro; interpelou os chefes sobre a voluntariedade da submissão (CM-0060, p. 17)
  • António Felippe da Cunha Ponte — tenente coronel de infantaria (CM-0060, p. 17)
  • Joaquim José Cavalcanti de Albuquerque e Lins — secretário de governo; lavrou o Termo (CM-0060, p. 17)
  • António Soares Calheiros Gomes de Abreu — provedor da fazenda real (CM-0060, p. 17)

Desdobramentos

  • O Capitão General recebeu os chefes com “esplêndido banquete” e os despachou de volta à aldeia com dádivas; o retorno foi celebrado pelos Guaycurú (CM-0060, p. 18).
  • O commandante do Presídio de Nova Coimbra (Francisco Rodrigues do Prado) testemunhou as visitas posteriores dos Guaycurú ao forte — “tanto que no ano de 1793 restituíram dois escravos que tinham fugido do presídio para suas terras” (CM-0060, p. 18).

Páginas relacionadas

A pesquisar
Dia exato de agosto de 1791 do Termo (ilegível no OCR). Identidade completa da intérprete “preta Victoria”. Efeitos políticos imediatos do Termo para os Guaycurú — protegeu-os de outras expedições militares?

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0060 [c. 1958] p. 16-18 Termo de paz (ago 1791) e Carta Patente (30/7/1791): textos completos; chefes, intérprete, signatários análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0060 - 0016_f.txt a CM-0060 - 0019_f.txt (p. 16-19) — [s.a.]. Dossier sobre terras indígenas. [s.l.], [c. 1958]. Acervo Cildo F. S. Meireles.